Dan Karuna sobre viver de música com covers e autorais

- De
- Bahia, Brasil
- Mora em
- Florianópolis, Brasil
- Som
- MPB, reggae, forró, samba rock
- Trabalho
- Autoral e covers
Dan Karuna é cantor e compositor baiano e mora em Florianópolis. Músico, compositor e empreendedor da própria arte, foi moldado pela musicalidade da família e pelos ritmos do Nordeste. Entre a MPB, o reggae, o forró e o samba rock, construiu a identidade explorando raízes e testando caminhos novos.
Conversamos com ele sobre processo criativo, sobre os desafios de viver da arte, sobre a música como remédio e sobre o que realmente importa para quem quer fazer dela um caminho. A entrevista completa está aqui.
Como a música começou para você?
Minha mãe conta essa história até hoje: a primeira música que eu fiz foi aos 4 anos. Não era nenhuma grande composição, era uma musiquinha que do nada saiu da minha cabeça, uma melodia, uma harmonia, e todo mundo gostou. A gente formou um coral com as crianças da turma para cantar no Natal da escola, e todo mundo cantou a minha música no fim do ano.
Depois, lá pelos 12, 13 anos, na época das paixonites, comecei a escrever músicas de amor. Quando entrei nas bandas de forró, a gente passou a tocar algumas delas, e eu me abri para escrever sobre outros temas, não só romance. Aos 17, com a banda de forró, entramos num festival de música na Bahia, o da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, com uma música minha chamada “O Forró Nunca Vai se Acabar”, que junta pedaços de músicas de Luiz Gonzaga numa só. Ganhamos em primeiro lugar.
Onde o seu som mudou?
Depois da faculdade fui morar em Belo Horizonte. Lá comecei a ouvir muita coisa nova que na Bahia não chegava tanto para mim, e minha cabeça passou a saltar para outros lugares. Comecei a escrever muito groove, muito samba rock. Hoje ainda escrevo coisas mais raiz da Bahia, de ritmos que as pessoas não conhecem tanto e que flertam com o samba. É onde está muito da minha raiz, porque cresci ouvindo isso.
O que é a música autoral para você hoje?
Um remédio. No começo você escreve das paixonites, porque quando é muito novo não consegue expressar o que sente por aquela pessoa e tenta sintetizar isso numa música. Hoje a música autoral vem para mim dessa forma, de remédio, de tentar explicar para mim mesmo sentimentos que tenho. E talvez muitas outras pessoas se identifiquem e abracem esse sentimento, que pode ser o delas também. A música autoral é o remédio do nosso subconsciente, a tentativa de transformar em algo sintetizado um sentimento difícil de explicar.
Como se profissionalizar no autoral?
Uma coisa importante é você se enxergar em qual prateleira da música está. Não que você vá fazer uma coisa só esperando a reação do público, mas enxergar quem caminha de forma parecida com você. Isso conta na hora de saber em que tipo de playlist sua música vai cair no Spotify, do lado de que tipo de artista. Enxergar para onde você está indo: quais festivais abraçam a sua ideia, quais plataformas ou pessoas levantam a mesma bandeira.
Você tem que amar sua arte e romantizá-la, mas ao mesmo tempo enxergá-la como produto, para saber valorizá-la e não ficar à margem do que os outros pensam de você. A produção audiovisual, o clipe, uma entrevista, um documentário, tudo isso conta muito para agregar valor ao trabalho. Monte o mapa cultural de tudo o que você já desenvolveu na sua trajetória: já toquei no palco de tal festival, já fiz isso, já fiz aquilo.
Como viver 100% da música?
Diversificando. Às vezes estou fechando cachê de guitarra, às vezes fazendo um projeto com outra pessoa, às vezes só voz e violão sozinho, às vezes como percussionista. Se a demanda vem mais de um lado, eu me jogo um pouco para ele; se vem de outro, me jogo para o outro. Se você ficar só num nicho fechado, é difícil se manter. Quanto mais você diversifica dentro da música, melhor: você é guitarrista, mas também grava online para os outros, ou é produtor, ou dá aula de guitarra. Assim você está sempre trabalhando, e vai vendo onde está mais quente, onde está mais frio.
Eu não gosto de me ver dentro de bolhas, de música a religião. Gosto de conhecer várias coisas, sem me isolar.
Nunca pare de estudar.
E a inteligência artificial?
Hoje a internet dá a possibilidade de você ser visto e ouvido em qualquer lugar do mundo. A inteligência artificial é uma parada muito difundida agora, e acredito que ela também é, de certa forma, uma redemocratização de certos acessos. Mesmo que dê medo de ela vir tomar nossos trabalhos, não acho que vá. Alguém pode perder trabalho para quem sabe mexer na IA, mas o fator criativo, o ponto-chave, vai sempre ser a gente no meio disso tudo.
Que dica você dá para quem está começando?
Estuda, velho. Se você quer evoluir na música ou em qualquer outra coisa da vida, tem que estudar. Principalmente quem é músico: além da música e do canto, você tem que estudar marketing, negociação com o cliente, finanças. Você acaba sendo tudo. Então a minha dica é nunca parar de estudar, nunca parar de ir atrás de conhecimento, sempre com a mentalidade de que a gente ainda não aprendeu tudo. A música é um universo infinito, qualquer coisa pode virar música. Acredite no que você está fazendo e se jogue.
A entrevista original é em português.


