Entrevistas

Gabriel Andres sobre tocar bateria fora do Brasil

Gabriel Andres olhando para a câmera, com a frase Se tiver a oportunidade de sair do Brasil, nem pensa muito
De
São Paulo, Brasil
Instrumento
Bateria e percussão
Já tocou em
Inglaterra, Noruega, Tailândia, Japão
Projetos
Théo Mizú & Banda, Modus Operandi

Gabriel Andres é baterista e percussionista de São Paulo. Na época da conversa, rodava o planeta com o som de Théo Mizú & Banda e de outros projetos internacionais, e já tinha passado por Inglaterra, Noruega, Tailândia e Japão. Ele também é o baterista da banda de Canary.

Gravamos esta conversa curta em Pai, no norte da Tailândia, durante uma sessão com a banda Modus Operandi. Se você toca bateria e pensa em levar a carreira para fora do Brasil, ela é para você.

Como você foi parar na Tailândia?

Vim a convite do Té. A gente se conheceu em São Paulo e ele comentou da turnê. Levei um tempo até decidir de verdade, mas decidi e vim parar aqui em Pai. Fizemos uma turnê na Inglaterra, acabou a Inglaterra, vim para a Tailândia e é isso. Foi assim que eu vim parar aqui, sem muitos planos.

Como você dá conta de tantos projetos?

Tem vários ensaios. Hoje em dia eu uso agenda, não usava. Então tem que colocar na agenda dias, shows, ensaios, o que vai fazer, o que não vai fazer. As coisas mudam muito facilmente, mas tem que estar na agenda. É assim que eu consigo conciliar esse monte de coisa e ainda dormir, comer bem, treinar, me cuidar, senão você não dá conta.

A música brasileira é valorizada fora?

Muito. Às vezes, no Brasil, a gente não valoriza o quanto ela é. A gente coloca a atenção em outras coisas. Tem muita gente fora querendo ver música brasileira, querendo receber essa cultura, ver o que é isso. Então tem muita oportunidade. Claro, vai ter que dar muito duro, vai passar aperto, vai passar raiva, vai ter que se virar. Não vou dizer que é garantia em qualquer lugar, mas esforço faz diferença. Contatos são importantes. O Brasil é muito bom, mas fora também é muito bom.

Como funciona o booking de uma turnê?

Na turnê padrão, a gente faz o booking antes. Busca, manda mensagem, leva um bom tempo. Não é simples. Se surgir alguma coisa extra durante a turnê, tudo bem, a gente vê se compensa ou não.

O que você precisa ter para ir mais longe?

Material, que é super importante. Quando é pouquinho, um videozinho simples no celular resolve. Mas se você quer expandir, entrar no mercado ou sair pelo mundo, tem que ter um material muito bom. Eu falo sempre: tem várias bandas fazendo a mesma coisa que você, várias pessoas tocando bateria, guitarra, baixo, cantando, criando música nova. O que diferencia muita coisa não é só a música, é como você vende isso, como você entrega isso para o público. E também contar com um pouco de sorte, de fé.

Um trabalho bem feito e um material bom são essenciais. Você não vai tocar num lugar mais chique, que paga mais, com material mais ou menos. Tem que estar no nível do lugar onde você quer tocar.

Se tiver a oportunidade de sair do Brasil, nem pensa muito.


Gravado em Pai, no norte da Tailândia, durante uma sessão com a banda Modus Operandi. A entrevista original é em português.

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